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Experiência versus passado

 Experiência é a teoria destilada. A informação transformada em conhecimento e depurada em sabedoria. E essa destilação, essa transformação, essa evolução pessoal depende de tempo, de coragem nas decisões e inevitavelmente de alguns ou muitos prejuízos. E, na prática, experiência significa decisões acertadas, menos desperdícios, menos retrabalho e mais resultados. É isso que toda empresa precisa e busca em um profissional.

Porém, o disparate está nos profissionais experientes e desempregados. Se a experiência tem um valor quase insubstituível por estar vinculada ao tempo, porque profissionais experientes são substituídos? A grande confusão está na má interpretação da palavra experiência. Experiência não significa passado. Como disse Ayrton Senna: “Não confunda passado com experiência para, no futuro, não cometer os mesmos erros”.

Muitos profissionais que dizem, por exemplo, ter 20 anos de experiência, têm, na verdade, uma experiência adquirida em um ano ou menos e que se repetiu dia após dia nos últimos 20 anos. Alguns profissionais na casa dos 50 anos, por exemplo, temem profissionais recém-formados, alegando que o salário dos inexperientes é menor e, portanto, compensa para a empresa.

Mas a única compensação que realmente interessa para as empresas são os resultados, em contrapartida aos investimentos. Obviamente, se a produtividade de um recém-formado, que tem como base salarial um terço do que receberia um experiente, gerar os mesmos resultados, continuar com o experiente significa desperdício.

Qual é a empresa que não gostaria de ter como diretor um experiente senhor chamado Antônio Ermírio de Moraes, mesmo tendo nascido em 1928? Qual o arquiteto que recusaria uma parceria ou alguns conselhos de um profissional quase centenário chamado Oscar Niemeyer? Ou, então, imagine ter como diretor comercial da sua empresa um simpático e persuasivo senhor chamado Sílvio Santos, que nasceu em 1930.

A experiência real não tem preço. Experiência é habilidade, prática, perícia e inteligência. E o que é inteligência? A palavra inteligente vem do latim intelligentis, da junção de inter, que significa entre, e legere, que significa escolher.

Portanto, ser inteligente significa não só saber escolher entre as opções, mas ter a capacidade de criar outras opções a partir das apresentadas. Experiência é a capacidade de resolver melhor que os outros. Experiência é fazer mais com menos. É evitar prejuízos.

 Como na conhecida história do técnico experiente, que cobrou dez mil dólares para dar uma martelada no motor do navio e fazê-lo funcionar e, ao ser questionado sobre o preço da martelada, ele disse: “A martelada custa um dólar. Mas saber onde dar a martelada custa 9.999 dólares”.

Alexandre Bernardo é diretor da ABTE (Alexandre Bernardo Treinamento Empresarial), que há 10 anos desenvolve e apresenta treinamentos nas áreas de Palestra de Motivação, Competência, Atendimento ao Cliente, Palestra de Vendas, Liderança e Oratória.

Data de publicação: 06/07/2006

Autor: Alexandre Bernardo

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