Não seja o melhor

Dar o melhor de si, se esforçar, se superar, tudo isso demonstra uma das qualidades mais importantes do ser humano: a vontade.

Ter vontade é estar vivo, é vibrar. E a recompensa pelo esforço é o reconhecimento. É uma delícia ser reconhecido!

Porém, temos que tomar cuidado para que o reconhecimento não nos torne arrogante e soberbo. Tenho amigos de profissão que se auto-intitulam “o melhor palestrante de vendas do Brasil”.  Quando alguém me diz “eu sou o melhor”, eu digo: “parabéns”, e fico pensando: “como que uma pessoa pode chegar a esse ponto”?

Alguém pode dizer que você é o melhor porque naquele momento você resolveu um problema, apontou um caminho mais claro, e a gratidão faz com que as pessoas digam coisas assim.

Quando meu filho nasceu, minha gratidão a todos os profissionais do hospital foi imensa, eu enxergava neles verdadeiros heróis. A enfermeira era uma heroína, os médicos, o anestesista, a faxineira, a moça do berçário. A minha alegria em ver aquele milagre acontecendo na minha frente – eu assisti tudinho – fez com que eu só enxergasse pessoas maravilhosas na minha frente e nem por isso aquele é o único e muito menos o melhor hospital que existe e nem aqueles são os únicos e melhores profissionais do mundo, mas naquele momento, para mim eram. O problema seria se um médico acreditasse nisso.

O problema é quando uma pessoa acredita no elogio sem levar em conta o estado emocional da pessoa que o elogiou. Devemos ter os pés no chão.

Como a história do homem “mais corajoso do mundo”. Certa ocasião, teve uma grande enchente numa cidade e um homem com seu barquinho salvou a vida de muitas pessoas.
A gratidão daquela população lhe subiu a cabeça e esse homem passou a contar sua história de heroísmo a todos que conheceu a partir de então. Até que um dia esse homem morreu, e ao chegar ao céu São Pedro perguntou o nome dele. O homem retrucou: “O Senhor não me conhece?”. São Pedro disse: “não”! E o homem contou sua história de coragem na hora. São Pedro ficou feliz com a boa alma que ali estava e lhe concedeu um pedido, qualquer coisa. E o homem “mais corajoso do mundo” pediu um grande auditório lotado de pessoas para ele poder contar sua história. E assim São Pedro fez. Reuniu milhares de pessoas num gigantesco auditório no céu e quando o homem “mais corajoso” se preparava para subir no palco para contar sua história São Pedro disse: “só para você saber, aquele senhorzinho de barba branca na primeira fileira é Noé”.

É claro que todos somos talentosos, com capacidades e possibilidades incríveis, mas ninguém é “o melhor” – mesmo porque quando uma pessoa se intitula como “o melhor”, para dizer isso ela está se comparando com alguém -, e a comparação faz com que a pessoa perca sua capacidade criativa, sua originalidade, sua capacidade de transcender, de atingir a genialidade, porque passa a se esforçar com referência em algo que já fizeram. Sua referência tem que ser você mesmo, a sua intuição. Temos que ser melhores do que fomos ontem, isso é ser melhor!
Alexandre Bernardo é diretor da ABTE (Alexandre Bernardo Treinamento Empresarial), que há 16 anos desenvolve e apresenta treinamentos nas áreas de Palestra de Motivação, Competência, Atendimento ao Cliente, Palestra de Vendas, Liderança e Oratória.