Os Ventos para Oportunidade

Vamos aproveitar a chegada do final do ano e lançar um olhar para o ciclo que se aproxima do fim.  Como foram seus resultados em relação ao que foi planejado no início do ciclo? Sua empresa aproveitou todas as oportunidades que surgiram? Criou outras oportunidades?

Bem, se vamos começar falando sobre oportunidade, uma palavra muito utilizada nessa época, cabe uma explicação: “oportunidade” vem do latim, da junção do prefixo ob (em direção) e do substantivo portus (porto de mar). Foi uma palavra muito utilizada antigamente na navegação de embarcações a vela, onde era observado se o vento estava “oportuno” ou “inoportuno” para a intenção da navegação naquele momento, se o vento era favorável ou não para a realização de determinada ação.

O conceito principal de oportunidade era esse, havia claramente uma intenção, um objetivo, uma meta. Como disse o filósofo Sêneca, “Não existe vento favorável para quem não sabe o porto aonde quer chegar”. Todo negócio, empreendimento, estudo, profissão, carreira, até mesmo lazer e a própria vida terão muito mais significado quando estivermos preparados para usufruir dos ventos da oportunidade. E saber onde queremos chegar – ou estar – é parte fundamental dessa preparação.

Para quem trabalha no comércio, por exemplo, os meses de novembro e dezembro são responsáveis por 30, 40% de sua venda anual. Mas esse faturamento é uma regra e vai acontecer para todos os estabelecimentos? Não! Vai acontecer para aqueles que se prepararam. Que sabiam para onde queriam ir, que tinham intenções e objetivos claros, em outras palavras, que sabiam em qual porto queriam aportar. E desde o início do ano se prepararam, capacitaram a equipe, enfim, estavam prontos usufruir dos ventos favoráveis quando estes surgissem.

Embora o tempo seja linear e não exista uma divisão física entre início e fim, podemos fazer a todo instante um novo começo. Particularmente gosto da ideia do ciclo: estabelecer um ponto de partida e um ponto de chegada, ou seja, saber onde está e aonde quer chegar, nos faz pensar em todos os detalhes e estratégias fundamentais que precisaremos dominar durante o percurso. Planejamento é fundamental, e é um padrão aceito que tenhamos o ano como um ciclo para avaliarmos planejamento e resultados.

Iniciar um novo ciclo, como numa navegação, sem qualquer referência de qual é seu “ponto de partida” significa ter deixado a embarcação à deriva e, de uma hora para outra, querer chegar em determinado porto. Dessa forma, deixamos de pensar estrategicamente e passamos a pensar desesperadamente. Seria o equivalente a deixar para cavar um poço quando já se está com sede. Muitas vezes é tarde demais.

No mundo corporativo, a grande maioria das empresas fazem suas convenções estratégicas no início do ano. Porém, se nos próximos meses os ventos ficarem inoportunos e os resultados aquém do esperado, muitas dessas empresas cancelam a próxima convenção, pois o período passado não trouxe os resultados esperados. Uma total incoerência, já que a finalidade principal dessa convenção é a preparação, o planejamento estratégico para um novo período. Por isso gosto do conceito de ciclos de início e fim. Acabou, analisou o que deve ser mudado, repetido ou excluído e passemos aos desafios do próximo ciclo.

Findo um ciclo vamos ficar, sim, com as experiências e o aprendizado, mas não com a sensação de derrota ou fracasso. Nem com a soberba do sucesso. Lembrem-se sempre: sucesso passado não garante sucesso no futuro. E a empresa que não estiver preparada para encarar o próximo ciclo vai perder os “ventos da oportunidade” por não saber aonde quer chegar.

Claro que, como diz a frase, uma pequena cautela é melhor que um grande remorso, e muitas vezes temos que diminuir o ritmo e dar tempo ao tempo. Mas o importante é ter claramente definidos a intenção, o objetivo e seguir em frente, mesmo que seja mais devagar. E para isso, planejamento é fundamental. Como diz Paulinho da Viola, “Faça como o velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar”. Mas leva!